"O Hotel Marina quando acende
Não é por nós dois
Nem lembra o nosso amor
Os inocentes do Leblon
Não sabem de você
Nem vão querer saber"
(Marina Lima)

Houve um tempo em que tudo era motivo para dramas amorosos.
Os relacionamentos, por mais prováveis ao fracasso que fossem, sempre traziam a impressão de serem eternos.
Os mocinhos amavam incondicionalmente as mocinhas, e não havia a vizinha provocante da casa ao lado, nem a colega de academia sarada.
Os momentos eram sempre eternizados com frases marcantes, com beijos apaixonados, com cabelos ao vento.
Serenatas, beijos roubados, matinés. Ó vida! Tudo transpirava um romantismo visceral.
Nesta época, não havia internet ou tão pouco aparelhos celulares.
Se o mocinho precisasse falar à mocinha o tamanho do seu amor, ele teria que correr contra o tempo, atravessar a cidade, chegar no aeroporto restando apenas 30 segundos para o embarque, para só então declarar a sua devoção aquela frágil donzela. Não teria outra oportunidade. Aquela sempre era a sua última chance.
Poderia ele também se atirar em frente ao carro, tocar pedrinhas em sua janela ou dormir na calçada da casa dela. Mas celular, pra que?
Tudo era vivido com mais intensidade. Com a notável presença da urgência urgentíssima.
Mas hoje, bom, hoje...
Possuímos todos os recursos necessários para a demonstração dos sentimentos mais intensos.
Você decidiu que quer realmente perdoar aquele seu ex-namorado, conseguiu depois de meses perceber como é indispensável à presença dela na sua vida? Então mocinha! Mãos à obra: vai lá, pegue um táxi, um carro, um avião e corra atrás da sua felicidade, antes que ela escape entre seus dedos!
Não? Ah sim, quem sabe um torpedo só pra marcar a presença. Ou uma ligação pelo Skype? MSN? É, MSN é infalível para uma arrebatadora paixão, isso se o mocinho não tiver lhe bloqueado depois daquela última conversa onde nenhum dos dois entendeu o que a criaturinha do outro lado do computador estava tentando dizer.
Sabe o que falta hoje para os relacionamentos? Não são apenas momentos inesquecíveis em Paris.
Falta é olho no olho, falta pressa, o medo de que tudo se acabe naquela fração de segundos. Medo de que ele pegue aquele próximo avião e suma para sempre da sua vida. Falta o frio na barriga só de pensar que ela está prestes a ter a mão pedida em casamento pelo mocinho da lambreta mais brilhosa.
O que é certo é que, em se tratando de paixão, nada é eterno. Por isso, devemos lutar ao máximo pelos poucos momentos dessa chama acessa, se entregar completamente, tirar os pés do chão e viver o momento que a vida está lhe proporcionando. Isto porque existem momentos em nossas vidas que são feitos para acabar logo, porque se durassem não seriam tão especiais. E deles, sobram apenas as nossas recordações.
É, ou eu nasci na década errada, ou o romantismo realmente morreu com os antepassados. O que eu sei é que ainda acredito que nós sempre vamos ter Paris.
Bem fez a Wendy que preferiu crescer a ficar com o Peter Pan....
O Peter Pan é maravilhoso, mas é livre e apenas uma página da vida.
Adiante, serão escritas novas páginas, sem apagar o Peter Pan, porque não se apaga o que se vive.
Assim como o Peter é livre, a Wendy também é para escolher o seu próprio caminho.
A vida é feita de escolhas e todas elas são sofridas, porque importam em uma renúncia, que logo após será compensada por outras vivências...
Ela preferiu crescer não porque não amava o Peter, mas porque seria infeliz ao lado dele...
Então, é melhor preservar a lembrança boa do que destruí-la com a própria infelicidade.
Este é o segredo do amor próprio.
Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espetáculo de beleza rara.O barco, impulsionado pela força dos ventos, vai ganhando o mar azul e nos parece cada vez menor. Não demora muito e só podemos contemplar um pequeno ponto branco na linha remota e indecisa, onde o mar e o céu se encontram. Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte, certamente exclamará: "já se foi".
Terá sumido?
Evaporado?
Não, certamente. Apenas o perdemos de vista. O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha quando estava próximo de nós. Continua tão capaz quanto antes de levar ao porto de destino as cargas recebidas.
O veleiro não evaporou, apenas não o podemos mais ver.
Mas ele continua o mesmo.E talvez, no exato instante em que alguém diz: "já se foi",
haverá outras vozes, mais além, a afirmar: "lá vem o veleiro".
Assim é a morte.
Quando o veleiro parte, levando a preciosa carga de um amor que nos foi caro, e o vemos sumir na linha que separa o visível do invisível dizemos: "já se foi".
Terá sumido?
Evaporado?
Não, certamente. Apenas o perdemos de vista. O ser que amamos continua o mesmo.
Sua capacidade mental não se perdeu. Suas conquistas seguem intactas, da mesma forma que quando estava ao nosso lado. Conserva o mesmo afeto que nutria por nós.
Nada se perde, a não ser o corpo físico de que não mais necessita no outro lado. E é assim que, no mesmo instante em que dizemos: já se foi", no mais além, outro alguém dirá feliz: "já está chegando". Chegou ao destino levando consigo as aquisições feitas durante a viagem terrena. A vida jamais se interrompe nem oferece mudanças espetaculares, pois a natureza não dá saltos. Cada um leva sua carga de vícios e virtudes, de afetos e desafetos, até que se resolva por desfazer-se do que julgar desnecessário.
A vida é feita de partidas e chegadas. De idas e vindas. Assim, o que para uns parece ser a partida, para outros é a chegada. Um dia partimos do mundo espiritual na direção do mundo físico; noutro partimos daqui para o espiritual, num constante ir e vir, como viajadores da imortalidade que somos todos nós.
Victor Hugo
(minha adaptação ao texto de Martha Medeiros)
Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. Nem tão rápido que me amedronte.
Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de me magoar.
Acordo pela manhã com ótimo humor ... faça uma força para me manter assim o dia todo.
Toque muito em mim, principalmente nos cabelos, em minhas mãos e minta sobre minha nocauteante beleza.
Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituoso, não perca tempo cultivando este tipo de herança de seus pais.
Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude.
Eu saio em conta, você não gastará muito comigo.
Acredite nas verdades que digo, não tenho o costume de mentir, prefiro sempre a verdade nua e crua.
Respeite meu choro, me deixe sozinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada (então fique comigo quando eu chorar, combinado?).
Seja mais forte que eu e menos altruísta!
Não se vista tão bem... gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de mãos.
Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar às vezes, mesmo na sua idade.
Leia, escolha seus próprios livros, releia-os todas as vezes que tiver vontade.
Adore cinema comigo! Cultive e aprecie os clássicos.
Ame a vida doméstica e os agitos noturnos.
Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, aprenda a gostar de boates, e de ir a praia comigo.
Não seja escravo da televisão, nem xiita contra.
Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.
Me enlouqueça uma vez por mês mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca ...
Goste de música e de sexo. Goste muito dos dois. Muito mesmo. Sem moderação.
Goste de um esporte não muito banal.
Ame crianças, e me peça muitos filhos. Crie cachorros, cavalos, e todos os animais que possa amar. Me apresente a sua família... eu sou carinhosa e encantadora ... eles irão me adorar!
Deixe-me dirigir o seu carro, que você adora. Quero ver você nervoso, inquieto.
Olhe para outras mulheres, tenha amigos, poucos e fiéis amigos e digam muitas bobagens juntos. Não abra mão dos seus, porque eu não abrirei mão dos meus.
Não me conte seus segredos ... me faça massagem no corpo inteiro. Adore o meu perfume.
Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções.
Me rapte!
Se nada disso funcionar ... experimente me amar.
