Verão


"O Hotel Marina quando acende
Não é por nós dois
Nem lembra o nosso amor
Os inocentes do Leblon
Não sabem de você
Nem vão querer saber"

(Marina Lima)

Inverno




"(...) And there is no combination of words I could say

But I will still tell you one thing

We're better together."

(better together- J.J.)
"Falo a língua dos loucos, porque não conheço a mórbida coerência dos lúcidos"(LFV)

Leitura diária obrigatória

"Durante esse pequeno espaço de tempo pude perceber algumas coisas que, na verdade, foram o maior aprendizado que tive nesse período.
Aprendi que os sonhos são as molas propulsoras da vida;
que devemos saber sobreviver às tristezas, não importando o tamanho delas;
que na maioria das vezes, só nós sabemos o que é melhor para nós mesmos;
que devemos falar mais e ouvir menos;
que para saber falar, tem que saber ouvir primeiro;
que para saber mandar, tem que saber obedecer primeiro;
que o medo não traz nada, apenas leva;
que o estudo traz a liberdade;
que a parte que mais dói no corpo não é o bolso, e sim o coração;
que os amigos são uma das coisas mais importantes da vida;
que o fanatismo nos leva a posições radicais e cegas;
que pai e mãe são a maior riqueza do mundo;
que, na vida, as vitórias são conquistadas na medida em que nos reerguemos a cada queda;
que o esforço pessoal é a exata medida das bênçãos que a vida no traz;
que o ser humano é egoísta mesmo;
que Deus deu uma vida para cada um cuidar da sua própria vida;
que dos seres vivos que habitam a Terra, o ser humano é o pior deles;
que confiança se conquista;
que gentileza nada custa e tudo compra;
que devemos melhorar sempre;
que na vida, o fato de não haver resultados imediatos, não significa que você não está melhorando;
que nada é por acaso;
que nada cai do céu, além de água;
que nada é fácil;
que na vida, colhemos exatamente aquilo que plantamos, nada a mais, nada a menos;
que o tempo não perdoa ninguém;
que a vida sempre segue o seu curso normal e não para para você chorar, se arrepender ou ficar olhando para trás;
que quem fica olhando para trás não vê o que vem pela frente;
que uma oportunidade nunca é perdida. Quem perde é você que não a agarrou, deixando para outrem pegá-la;
que é preciso entender os sinais;
que às vezes é preciso chorar para entender o coração;
que não é perdoando que se é perdoado, e sim pedindo perdão com sinceridade no olhar;
que não se deve esperar das pessoas o que você faria no lugar delas;
que só quem sente a dor pode aquilatar o seu tamanho. E ainda assim, ninguém se importará com ela;
que uma hora tudo se resolve;
que dinheiro realmente não é tudo na vida, mas é quase tudo;
que não importa o tamanho do seu problema, ele é seu e somente você terá que resolvê-lo;
que as coisas definitivas levam tempo para serem construídas;
que há certos caminhos para os quais não existe atalho, devem ser totalmente percorridos;
que só o trabalho constante conduz ao sucesso;
que todo esforço será bem recompensado;
que o tempo, senhor da razão, sempre vai bendizer o fruto do seu esforço, e só esse esforço nos leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados jamais conhecerão, e isso se chama sucesso."
Gabriel Habib

Quando ela estiver com outro

"A dor é educada fora de casa. Dentro dos limites do portão, pode chorar, espernear, jogar objetos pela janela, quebrar os cds, empurrar os livros da estante. Em público, é cortês e polida. Não significa que não está louca por um escândalo. Está e se contém e se censura. No amor, morre-se em segredo, numa hemorragia interna, sem ferimento a pôr as pessoas em desespero ao seu redor tentando socorrê-lo. Não há quem não tenha sofrido o enfrentamento de encontrar uma paixão com outro namorado. Onde menos se espera, constatar que ela o esqueceu ou finge esquecer com habilidade. Que não era insubstituível, que é uma foto queimada e chaves devolvidas. Na vulnerabilidade de uma conversa entre amigos, seu rosto fica branco ao reparar ela beijando e abraçando um estranho. Corre ao banheiro para banhar o pescoço e aliviar a queimação. É um ódio e uma desvalia enormes como se a traição acontecesse ainda no momento que permaneciam juntos. Só que vocês não estão mais juntos. Nem se observa muito para não dar na vista. Não se olha nos olhos dela. De canto, percebe as mãos dela fazendo movimentos circulares nas costas dele, a pedir com volúpia a aproximação da cintura. Igualzinho como na época do namoro contigo. É um drama rever quem se gostava comprometida. Seria sorte se apenas os cotovelos doessem - é todo o corpo. Toda a ausência do corpo dela no seu. Esperava que a vida conspirasse a favor, de que ainda voltariam. Não fez nada para que acontecesse o retorno, mas esperava que o tempo parasse para pensar e facilitasse a reconciliação. De repente, ela não está desejando uma revanche, vive a possibilidade de amar de novo. É difícil aceitar isso, queria que ela estivesse trancada no quarto, de luto, chorando um morto, enquanto você saía e aproveitava a noite. Nenhuma alma o convencerá do contrário. Tende ao exagero, a distorção. Ela abraça o cara e entende que se esfrega nele, ela o beija e entende que o lambe. Alheio à verdade (a verdade pouco importa diante do coração), reconhece a cena como uma vingança calculada, um acerto de contas. Elabora a tese de que ela apareceu justamente no bar que freqüenta para suscitar o ciúme e abalar suas convicções de despedida. Baba de raiva, de dó, de pena de seu futuro. Ela acena. Não existe saída para fugir de falar com ela; decide se aproximar do casal. Cumprimenta o novo namorado com formalidade e distanciamento. Pergunta como ela vai e suporta escutar um "nunca estive tão bem". Apesar dos calafrios, não retruca. Apesar da vontade de virar a mesa e ofendê-la de cadela, não retruca. Apesar do ímpeto de esmurrar o nariz do rapaz e findar aquela felicidade inconsciente de mosca na teia de aranha, não retruca. Não, não diz nada. Perdeu o domínio de revidar. A dor faz nascer um orgulho inquebrantável. Orgulho insensível e gélido. Orgulho de animal do pântano, acostumado a rastejar no escuro. Não entregará o que sente. Calará para sempre. Agora sim é um morto, como queria que ela o tratasse. Mas ela não chora por você. É o morto que chorará em casa. Sozinho, debaixo da terra dos lençóis. Chorará a impossibilidade de ser honesto."

- Fabrício Carpinejar.

Marina

"O meu medo é uma coisa assim
Que corre por fora
Entra, vai e volta sem sair,
Oh, oh ! Oh, não !
Não tente me fazer feliz
Eu sei que o amor é bom demais
Mas dói demais sentir."

Íntegra: http://www.youtube.com/watch?v=-dO2gA8KT8w

Ouvi esta música hoje, no meio da tarde, e perdi totalmente a direção do meu dia. Apertou, doeu.
Martelou como um sino.

Não busque definir. Nem rotular. Só sinta.
São apenas frases soltas que ainda hoje tem grande significado pra mim.

Não gosto dela como pessoa, mas a artista Marina Lima me toca fundo. Me lembra a adolescência passional. Revivo isso a cada música que escuto. Ótimas recordações.
Marina, Cazuza, Lobão, Leoni, Renato.
Só lembranças...

Beijos a quem ler. E boa música pra quem for até lá ouvir.

Frases fofas de filmes fofos, parte I

Bom pessoal, em homenagem ao Dia dos Namorados, segue a seleção de frases românticas em filmes fofos:

- “Quando eles me perguntarem do que eu mais gostei, eu vou dizer que foi de você” – Cidade dos Anjos.
- “Lembre-se: eu sou só uma garota, parada na frente um garoto, pedindo que ele a ame” – Um lugar chamado Notting Hill.
- “Às vezes eu queria não ter te conhecido. Assim eu poderia ir dormir à noite sem saber que tem alguém como você por aí” – Gênio Indomável.
- “Se você ama alguém diga, diga ali, diga alto. Senão o momento...” – O Casamento do Meu Melhor Amigo.
- “Pegue o amor e multiplique pelo infinito e leve-o à profundidade do eterno, e ainda assim você só terá uma ideia do quanto eu gosto de você” – Encontro Marcado.


Estas frases foram retiradas do blog de um ator/escritor, do qual eu muito me identifico.
Eu sou uma de suas leitoras assíduas, mas que segundo ele, não passam de meia duzia.
E além disto, sou fã de cinema. Sempre fui. Carteirinha cativa na locadora. E de todos, com certeza, as comédias românticas são as que mais me agradam. Desculpem os que discordam, mas o romance é fundamental.
E, apesar do romantismo, sou uma convicta solteirona.
E não mentirei dizendo que sou solteira por opção. Não sou não.
Das duas uma: a) ou quem eu quero não me quer, b) ou a opção é minha de não me entregar a qualquer um.
Tire suas próprias conclusões.
De qualquer forma, nunca perco a fé, ainda mais que amanha é dia de Santo Antônio...


Ai... ai... ai...
Feliz Dia dos Namorados!

Mil pulsações por minuto.

Este texto é para a minha mãe. Uma teimosa e vitoriosa mulher. Bem-vinda de volta à casa.

Coração é um órgão à parte.
Possui vida própria.

Primeiro, olhando pelo prisma da biologia, é o órgão central para o funcionamento da vida. Distribui e faz circular todo o sangue que corre em suas veias. Ele que dá o ritmo ao corpo, com movimentos totalmente involuntários. Admita, você não tem controle sobre ele. Às vezes descompensado, mais parece uma bateria de escola de samba do grupo de acesso.

É um músculo, e como tal, prescinde que seja exercitado. E bem cuidado. E amparado. E fiscalizado.

Aceite, ele que dá as cartas. E com o seu jeitão de quem sente tudo antes de nós mesmos, perde o compasso quando ficamos ansiosos, acelerados ou ... apaixonados.
Sim, ele é o símbolo maior da paixão.

Há quem diga que a paixão é um acontecimento da química, utilizando milhares de palavrinhas complicadas para conceituar: uns tais de neurotransmissores pra lá, endorfinas para cá, serotoninas, noradrenalina, nomes que transcendem o entendimento leigo.

Outros esclarecem que, quem comanda a paixão é a física, que isso nada mais é do que o encontro de dois corpos que não ocupam (nunca) o mesmo lugar no espaço. Bom, só com essa explicação bem se vê que a física em nada entende a paixão.

Tem também quem justifique tudo com teorias de destino... "predestinação das almas, reencontros cármicos do acaso ou do destino."

O mais interessante é que, nada disso é verdade, paixão não se explica. Se sente! E para vivê-la, imprescindível um coração aberto, sadio, pulsante!

Ele não pergunta: Vamos lá companheiro, você está pronto para mais uma? Nada disso.. você que precisa cuidar bem dele para a aventura amorosa que te espera ali, depois da curva.

Tente escutá-lo. Combinem um jeito para se entenderem. Uma linguagem própria, que só vocês conheçam. Por mais que você não queira, vai chegar um momento em que ele vai te dominar por completo. E vai escolher entre muitas, aquela pessoa.

Prepare-se! O mundo de calmaria e estabilidade está acenando o adeus. Ela está voltando, e com a paixão, todo o mix de sentimentos e sensações.

Você se entrega, doa o melhor de si, para daqui a um tempo, o seu coraçãozinho velho cansar do marasmo, do acomodado, e permitir-se mais.

Eduque-se, conheça mais a você mesmo. Reinvente-se. Viva. Com saúde. No fim, o seu coração agradece.

18.05.2009

Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre.
(CL)

Trechos de Divã.

"Se não era amor, era da mesma família.
Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados.

A carência.
A saudade.
A mágoa.
Um quase desespero, uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não se sabe se vai ser antes ou depois de se chocar contra o solo.
Eu bati a 200 km por hora e estou voltando à pé pra casa, avariada.
Eu sei, não precisa me dizer outra vez!
Era uma diversão, uma paixonite, um jogo entre adultos.
Talvez este seja o ponto.
Talvez eu não seja adulta o suficiente para brincar tão longe do meu pátio, do meu quarto, das minhas bonecas.
Onde é que eu estava com a cabeça, de acreditar em contos de fada, de achar que a gente muda o que sente, e que bastaria apertar um botão que as luzes apagariam e eu voltaria a minha vida satisfatória, sem seqüelas, sem registro de ocorrência?
Eu não amei... Eu tenho certeza que não.
Eu amei a mim mesma naquela verdade inventada.
Não era amor, era uma sorte.
Não era amor, era uma travessura.
Não era amor, eram dois travesseiros.
Não era amor, eram dois celulares desligados.
Não era amor, era de tarde.
Não era amor, era inverno.
Não era amor, era sem medo.
Não era amor, era melhor."

Martha Medeiros

O sonho.

"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..." (Clarisse Lispector)


Munida da certeza de que expor os seus sentimentos não alterava o futuro, esforçava-se a transpor em palavras o que assombrava seus pensamentos.

...

Tinha muito medo. Medo do escuro, medo de falar em público. Medo de perder a voz durante uma de suas apresentações. Medo de sentir dor. Tinha medo de perder a beleza da juventude, medo de ficar sozinha como sua mãe. Medo de atravessar a rua. Medo de multidões. Tinha medo até de deixar o carro aberto. Mas a morte nunca a assombrara.

Uma noite, entre os seus travesseiros e colchas de retalhos, acordou assustada com o resultado fúnebre de seus devaneios noturnos. Sonhara que a morte lhe avisava sobre uma visita.
Não uma dessas visitas de domingo, daquelas que você já espera durante a semana toda e sabe o horário em que vai servir o último café.

Recebeu em tal sonho um aviso de que estes seriam seus últimos dias. Que de nada adiantaria lutar, que sua missão já estava encerrada, e que precisava preparar-se para a despedida. Sentiu-se bem. Como quem arruma as malas para voltar pra casa. Sabia que teria todo o apoio e seria bem acolhida quando então retornasse as origens.

Acordou de sobressalto, com o coração disparado, suando frio e pensando em como digerir as informações vindas do seu subconsciente. Já sabia. Já previa. Era realmente inevitável. Precisa apenas... aceitar. Apenas?

Somente depois deste sonho conseguiu aprender o que era viver. Daquele dia em diante, só o que sentia era que precisava buscar a sua felicidade. E viver os dias como se fossem os últimos. Ou o último.

E deste dia em diante tudo, absolutamente tudo mudou. Só então conseguiu ver como era realmente influenciável - como um simples sonho poderia mudá-la tanto assim?- e como as mulheres torciam para perder o tal do sexto sentido. Mesmo assim, acrescentou mais detalhes em sua vida. Realmente livrou-se de tudo que não mais fazia sentindo em ter por perto... bugigangas nos armários, cartas de ex amores, sentimentos depreciativos, extratos bancários dos anos anteriores, amizades...

Aproximou-se dos sentimentos verdadeiros. Jogou ao alto tudo que não interessaria na próxima vida. Absolutamente tudo.
Leu mais, estudou mais, rezou mais. Beijos mais, amou mais, quis mais.

E os dias passaram e a vida seguia. O que mudavam eram os ângulos. Não olhava mais pra trás, mas também não contava mais os dias esperando pela visita final.

Adentrara numa fase de vida que só lhe trazia felicidades. E os medos... bom, os medos se foram com tudo o que ela não queria mais guardar. Sobrou-lhe apenas a pressa. E essa, era de ser feliz.

Thinking of you

A elegância no comportamento.

Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento. É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto. É uma elegância desobrigada.
É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoasque escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, por exemplo. Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros. É possível detectá-la em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.
Oferecer flores é sempre elegante. É elegante não ficar espaçoso demais. É elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para o fazer... porém, é elegante reconhecer o esforço, a amizade e as qualidades dos outros.
É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro. É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais. É elegante retribuir carinho e solidariedade. É elegante o silêncio, diante de uma rejeição. Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto. Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante. É elegante a gentileza. Atitudes gentis falam mais que mil imagens. Abrir a porta para alguém é muito elegante. Dar o lugar para alguém sentar é muito elegante. Sorrir, sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma. Oferecer ajuda é muito elegante. Olhar nos olhos, ao conversar é essencialmente elegante. Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo. A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social. Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os desafetos é que não irão desfrutá-la.

(texto encontrado na internet, autor desconhecido).

Hoje é dia do "O CARA"

22 de abril.

Há trinta anos atrás nascia em Minas Gerais O CARA.
Quem lê assim, de uma maneira despretensiosa não entende bem o que a expressão quer dizer. Aos que possuírem interesse, faço questão de esclarecer.

Alguns anos atrás conheci em Porto Alegre uma figura única. Após alguns meses de contato, uns meses afastados, uns meses de interesse e uns meses de amizade, afirmo com toda propriedade que ele é O CARA.

A velha frase clichê de pessoas que possuem luz própria. Clichê?

Publicitário, mente fértil. Mil idéias. Nada de preguiça mental. Já no início do exercício da profissão foi premiado em Cannes.
Deu a cara à tapa, e numa brincadeira despretensiosa, participou do Big Brother. Nossa sorte foi que ele não agradou.
Roteirista, já rodou muitas partes do Brasil atrás do ângulo certo.
Intelectualizado, entende absolutamente tudo sobre música de boa qualidade. Tudo.
Com muito bom gosto, se diz um arquiteto frustrado, mas na verdade é um arquiteto exclusivo. Exclusivo mesmo, para ele próprio.
Minucioso, detalhista e perfeccionista. Maniático, organizador nato.
Chocólatra. Colecionador. Viajado e com facilidade em idiomas. Mac-vício.
Funciona melhor após o meio dia.
Requintado. Gosta de tudo que é bom. Digo isso na culinária, vinhos, champagne, livros, filmes e mulheres.
Bom, sobre as mulheres, mereceria um capítulo à parte.
Mania de afirmarem que mineirinho come quieto. Será? Quieto não sei se come, mas sabe - ou pensa que sabe-, bem o que quer quando o assunto é mulher.
Romântico, dedicado, passional. Pela mente deste artista circulam os mais intensos devaneios. Por suas veias os mais pulsantes sentimentos. Entrega total. Sem jogos. De jogo, já basta aquele do tapete verde que exige o blefe. Nos sentimentos a viceridade é a regra da vez.
Melancólico, nutre este sentimento como qualquer grande mente artista. Precisa dele, busca ele, se alimenta dele.
Determinado. Não cansa. Vai à luta na busca dos seus objetivos. Se alimenta de novos projetos. E sabe como executá-los.
Amigo. Isso já define 80% de sua personalidade. De poucos, mas bons.
Não agrada à todos, e nem busca isso. Se não gosta, rotula como "ridículo". Se caiu nas graças, até o próximo piti é para a vida inteira.
Superação. Perdeu o irmão. Fortaleceu. Criou escudos, encontrou o seu rumo. Usou a dor para mais uma vez transformá-la em algo bom. Esse é o seu dom.
E tiraram-lhe o PAI. Pra quem já viveu isso, sabe a dor que gera. Mas isso é para quem perde um pai qualquer. E não o PAI DO CARA. O PAI DO CARA também merece um capítulo à parte. Inúmeras qualidades. Só por ser o PAI DO CARA já se tira uma média do que o mundo perdeu.
Se perder O PAI já dói, imagina perdê-lo e estar lá, mato a dentro, confins do mundo, exercendo a sua arte. Sem tchau PAI, só um até logo.
É um abismo, mas seria pior se O CARA não tivesse do seu lado A MÃE. Sim, porque ele foi duplamente abençoado. Ele também tem A MÃE. O tipo de mulher que serve de exemplo para qualquer pessoa como sendo a melhor mulher do mundo.
E como ele sendo tudo isso, tendo tudo isso, ele não seria O CARA?

E como, numa breve existência neste plano, eu, ao encontrar, conhecer e conviver com UM CARA como esse, poderia não exaltar a data em que ele completa 30 anos.

Um brinde aos deuses por concederam aos terrenos a oportunidade de gozar a companhia dele.

E outro brinde a este HOMEM, que não faz idéia de que é tudo isso, mas que agora, ao final do meu texto, vai entender o porquê de ser tão amado e tão especial.

Parabéns. 30 anos de personalidade. Torço por mais 60 de realizações.

O amor que a vida traz

Você gostaria de ter um amor que fosse estável, divertido e fácil. O objeto desse amor nem precisaria ser muito bonito, nem rico. Uma pessoa bacana, que te adorasse e fosse parceira já estaria mais do que bom. Você quer um amor assim. É pedir muito? Ora, você está sendo até modesto.
O problema é que todos imaginam um amor a seu modo, um amor cheio de pré-requisitos. Ao analisar o currículo do candidato, alguns itens de fábrica não podem faltar. O seu amor tem que gostar um pouco de cinema, nem que seja para assistir em casa, no DVD. E seria bom que gostasse dos seus amigos. E precisa ter um objetivo na vida. Bom humor, sim, bom humor não pode faltar. Não é querer demais, é? Ninguém está pedindo um piloto de fórmula 1 ou a capa do mês da Playboy. Basta um amor desses fabricados em série, não pode ser tão impossível.
Ai a vida bate à sua porta e entrega um amor que não tem nada a ver com o que você queria. Será que se enganou de endereço? Não, está tudo certinho, confira o protocolo. Esse é o amor que lhe cabe. É o seu. Se não gostar, pode colocar no lixo, pode passar adiante, faça o que quiser. A entrega está feita, assine aqui, adeus.
E agora está você ai, com esse amor que não estava nos planos. Um amor que não é a sua cara, que não lembra em nada um amor idealizado. E, por isso mesmo, um amor que deixa você em pânico e em êxtase. Tudo diferente do que você um dia supôs, um amor que te perturba e te exige, que não aceita as regras que você estipulou. Um amor que a cada manha faz você pensar que de hoje não passa, mas a noite chega e esse amor perdura, um amor movido por discussões que você não esperava enfrentar e por beijos para os quais nem imaginava ter tanto fôlego. Um amor errado como aqueles que dizem que devemos aproveitar enquanto não encontramos o certo, e o certo era aquele outro que você havia solicitado, mas a vida, que é péssima para atender pedidos, lhe trouxe esse e conforme-se, saboreie esse presente, esse suspense, esse nonsense, esse amor que você desconfia que não lhe percente. Aquele amor em formato de coração, amor com licor, amor de caixinha, não apareceu. Olhe para você vivendo esse amor a granel, esse amor escarcéu, não era bem isso que você desejava, mas é o amor que lhe foi destinado, o amor que começou pelo telefone, o amor que começou pela internet, que esbarrou em você no elevador, o que amor que era pra não vingar e virou compromisso, olha você tendo que explicar o que não se explica, você nunca havia se dado conta que amor não se pede, não se especifica, não experimenta em loja - ah, este me serviu direitinho!
Aquele amor corretinho por você tão sonhado vai parar na porta de alguém que despreza amores corretos, repare em como a vida é astuciosa. Assim são as entregas do amor, todas como se viessem num caminhão da sorte, uma promoção de domingo, um prêmio buzinando lá fora, mesmo você nunca tendo apostado. Aquele amor que você encomendou e não veio, parabéns! Agradeça e aproveite o que lhe foi entregue por sorteio.

(M.M. - ZH 19/04/09)

Torna-te quem tú és.

Chega de deliciosos delírios. Hoje ela aprende a ser quem ela é.


Despiu-se hoje, já tardiamente, de todos os planos incertos.Estava tão fatigada de procuras inúteis, desilusões, correr em círculos. Sabia-se inerente a decepções, fracassos, noites regadas a cigarros e eletrônicos pesados, apenas com o olhar marejado adiante, entretanto, não buscaria nada mais em terrenos desconhecidos.

Mesmo tendo plena certeza de que sonhar é necessário, buscaria deste momento em diante, tudo o que é palpável, sólido, certo.

Fez-se mulher.

A menina que ainda esperava, cansou de laços de fita e ilusórios contos de fadas. Cansou de canções de ninar e sábados no parque. A menina... cresceu. Renasceu. Tornou-se quem deveria ser.

"Torna-te quem tú és." Friedrich Nietzsche

Coríntios 13 - O Amor

Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine.
E ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.
O amor é sofredor, é benigno, o amor não é invejoso, o amor não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal, não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade, tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor jamais acaba, mas havendo profecias, serão aniquiladas, havendo línguas, cessarão, havendo ciência, desaparecerá, porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos, mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado.
Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido.
Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.


http://www.bibliaonline.com.br/acf/1co/13

No exercício regular do meu direito.

Sempre critiquei os indecisos. Não aceitava o fato de que algumas pessoas levavam mais tempo para entender o que queriam, para ter certeza dos passos que deveriam tomar.
Eu me revoltava. Não admitia que brincassem com os meus sentimentos, nem com os dos outros. Acreditava que as dúvidas eram intencionais, que tudo era premeditado e que aqueles que titubiavam eram jogadores na arte do amor.
Pois bem... Hoje já não atiro mais pedras.
Todos temos o direito de não ter sempre certeza. Ninguem nasce com a obrigação de agir corretamente em todos os momentos.
Só hoje eu posso afirmar que o direito à dúvida é sagrado, e deve ser respeitado como o direito à vida.
Evoluir é o resumo da nossa busca de vida. Mas para evoluir é preciso escolher o caminho a tomar. E para escolher, é necessário que exista mais de uma opção. E tendo mais de uma opção, meu amigo, bem vindo ao mundo dos indecisos.
Respeito antes de tudo. Respeite a si mesmo e, principalmente, respeite o coração do próximo.
A humanidade agradece.

Homens da nova geração.

Tá certo que, o que hoje é novo, amanha já vira figurinha carimbada. Mesmo assim, posso classificar a geração de hoje como nova. Quebra de conceitos, mudança de atitudes.
Quanto aos homens, acredito que eles também estão neste processo de renovação.
Já peço desculpa a quem vier a discordar, mas este é o meu espaço para manifestações pessoais.
Eu não consigo gostar desta nova geração masculina. Não me adapto, exatamente por gostar dos homens.
Tenho muitos amigos homens, mais até do que amigas mulheres. Acredito que no quesito amizade, quando se conquista a de um homem, não existe rivalidades e, por incrível que pareça, pode ser mais intensa e duradoura que a amizade feminina.
Mas voltando ao tema, porque os homens estão tão mudados?
Essas mudanças no comportamento feminino exigiram que os homens repensassem as suas atitudes, até ai tudo bem. Mas será que ficamos tão exigentes assim ou eles que se perderam pelo caminho?
Hoje os homens são femininos demais. Houve uma mistura de conceitos. Falo isso não só pela divisão de tarefas que até a pouco tempo eram nossas (ok, também roubamos as deles). Falo mais especificamente sobre a vaidade masculina.
Vaidade é sempre bom, muito bom. Alguém que se cuide, que valorize o seu corpo, a sua saúde. Que goste de perfumes, que curta algumas marcas, que dê importância para a sua aparência. Mas exageros no âmbito masculino são proibidos!
Cada dia me surpreendo com novos hábitos masculinos: depilação com cera quente no peitoral, hora semanal na manicure, sessões de bronzeamento artificial, mini lifting, implante capilar, cremes anti-rugas, alisamentos e hidratações nos melhores salões de beleza, ...
Me ajudem! Eu que fiquei velha ou a coisa passou dos limites?
Metrossexualismo é aceitável. Mas não consigo entender porque os homens quando estendem a mão para cumprimentar outros homens, olham primeiro para o próprio biceps para depois olhar o alheio, num grau de comparação.
Bombas, academias-shopping-centers, pesos e mais pesos.
Homens! Prestem atenção! Mulheres de verdade não se importam com estes detalhes!
Mulheres que raciocinam querem homens que pensem também, e que saibam que tudo tem limite. Você já assistiu o filme: "Do que as mulheres gostam"? Se não, assista! Vale a pena. Mulheres querem homens com palavra, com atitude, com senso de justiça, com força de vontade, com sensibilidade, com paciência, com carinho. Não, elas não querem uma versão masculina delas mesmas!
Para que pele bronzeada, cabelo alisado, unhas feitas e peito liso? Isso nós já temos!
Posso até estar sendo preconceituosa, mas homens que valorizam demais estes detalhes tão femininos, podem, no fundo, estarem confusos com a sua própria sexualidade.
Pense nisso.

Dé, Bebel e Cazuza.

O poeta está vivo

"Estou escrevendo numa tarde cinzenta, fria. Trabalho pra espantar a solidão e meus pensamentos. Perdi muito tempo com este segredo. Hoje eu assumi publicamente a doença. Dizem que gente grande faz assim. Talvez eu esteja ficando grande. Mas ainda tenho muitos medos: medo de voar, de entrar no palco, de amar, de morrer... de ser feliz. Medo de fazer análise e perder a inspiração. Ganho dinheiro cantando as minhas desgraças. Comprar uma fazenda e fazer filhos, talvez fosse uma maneira de ficar pra sempre na Terra. Porque discos arranham e quebram… as pessoas, esquecem. Amor, Cazuza."

...

"O amor é o ridículo da vida. A gente procura nele uma pureza impossível, uma pureza que está sempre se pondo, indo embora. A vida veio e me levou com ela. Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga idéia de paraíso que nos persegue, bonita e breve, como as borboletas que só vivem 24 horas. Morrer não dói."

Desassossegados

"(...)Desassossegados do mundo correm atrás da felicidade possível, e uma vez alcançado seu quinhão, não sossegam: saem atrás da felicidade improvável, aquela que se promete constante, aquela que ninguém nunca viu, e por isso sua raridade.
Desassossegados amam com atropelo, cultivam fantasias irreais de amores sublimes, fartos e eternos, são sabidamente apressados, cheios de ânsias e desejos, amam muito mais do que necessitam e recebem menos amor do que planejavam.
Desassossegados pensam acordados e dormindo, pensam falando e escutando, pensam ao concordar e, quando discordam, pensam que pensam melhor, e pensam com clareza uns dias e com a mente turva em outros, e pensam tanto que pensam que descansam.(...)" Martha Medeiros.

Que a vida me dê mais momentos de desassossego. Que eu nunca me acomode. Que eu continue matando um leão por dia. Que eu busque a felicidade improvável e tudo aquilo que seja impossível.
Seguindo as palavras de um amigo muito sábio: "Impossível é apenas uma grande palavra usada por gente fraca que prefere viver no mundo em que está ao invés de usar o seu poder para mudá-lo... impossível não é um fato... é uma opinião... impossível não é uma declaração.... é um desafio... impossível é hipotético... impossível é temporário..."

E que na minha andança, eu traga ao meu lado, somente um bando de desassossegados.

Quase lá

Eu tô quase lá. Seja lá onde esse lá seja, eu tô quase.

Tô com tudo que eu sempre quis. Paz no coração, porque consigo deitar a cabeça no meu travesseiro com a certeza que to indo pelo caminho certo. Eu tô quase lá.

Tenho o pouco que pra mim já é muito. Tenho família por perto: pai, mãe, irmãos, primos e agregados. Tenho tudo, até sobrinhos, gato, cachorro, passarinho e ex cunhado como melhor amigo. Só não tenho filho. Mas eu tô quase lá.

Tenho o meu canto, minhas coisinhas rosinhas. Roupas, sapatos, prata e quinquilharias. Tenho livros de cabeceira e perfume que ganhei da tia. Na parede do meu quarto, tem uma janela que dá pra casa da vizinha. Na minha cama tem um imã que me impede de levantar mais cedo e aproveitar o dia. Mas eu tô quase lá.

No meu trabalho eu descobri o que é matar um leão por dia. Faço planos, traço metas, anoto tudo e ainda assim perco o sono achando que o meu melhor eu ainda não descobri. Mas eu tô chegando lá.

Com os meus amigos, eu descubro um pouco mais de mim a cada dia. Com uns sou ouvinte, com outros faladeira. Com uns eu cozinho, e com outros eu só faço sujeira. Amigos de anos, amigos de dias. Aqueles de sempre, e os que eu faço a cada dia. Ainda não consegui ter por perto todos aqueles que eu queria, mas prometo, essa é a próxima meta, e como vocês já podem imaginar, eu juro, que eu tô quase lá.

No amor, bom. Dai confesso que ainda tenho muito o que aprender. Mas se eu ainda respiro a cada dia, é sinal que eu ainda estou crescendo e evoluindo.Eu erro. Mas levanto e dou aquela sacudida na poeira. Coração de quem tem humildade não serve de lamento para lavadeira. E se o dia nasce de novo, é porque algo muito melhor está para nascer com ele. E isso você pode ter certeza, não é conversa de faladeira. É experiência de quem já muito tombo caiu, mas que tá no caminho, e que tá chegando lá.

E se o meu lá for do outro lado do mundo, pode ter certeza que eu não canso até achar. É com o meu coração que eu abro passagem, sabendo que o caminho é escolha minha, e que lá tem alguém a me esperar.

Sexta 13.

"O problema é que quero muitas coisas simples,
então pareço exigente."

(Fernanda Young)


(O texto que segue é em homenagem a uma amiga... PS - os meus butiás também cairam)

Quinta feira. Minto, no relógio já passa das duas horas de sexta feira, 13 de março. No meu quarto, eu, minha cama, minha tevê, meu espelho. Quem mais? Você. Você não está aqui, isso porque você ainda não sabe que eu estou aqui. Já cheguei. Bate na porta e entra. Estou te esperando a dias, meses, já nem conto mais.

Essa vida é muito boa mesmo. Hoje eu vejo que não tenho do que reclamar. De uns tempos pra cá, tudo o que vivi até agora, vendo de longe, mais me parece um ensaio pro ato final.

Eu to pronta. Seja pro que for. Hoje eu to inteira. E o que eu quero? Somente aquilo que possa me fazer feliz. As minhas coisas, o que eu demorei tanto pra conseguir. O que vier contigo é consequência. Ninguém nasce pra completar ninguém, porque não existe meio eu, meio você. Só te quero se tu chegar inteiro. E pode vir, a porta tá aberta. Vem logo, porque eu, eu já transbordei.

Outra prima-vera.

"Pra ser sincero não espero de você, mais do que educação.
Beijo sem paixão, crime sem castigo, aperto de mãos, apenas bons amigos."
(Humberto Gessinger)


+++

E lá vou eu novamente.
Bate à minha porta os últimos minutos da idade velha. Idade mais velha do que eu. Última na terra dos "vinte".
Pensando melhor, está para abrir a janela da nova idade, do novo ciclo, do novo ano.
Mais uma comemoração! Agradecer à vida, festejar com quem a gente gosta. Telefonemas. E-mails. Ganhar carinho. Beijo de pai, beijo de mãe. Lembrar dos velhos tempos. Cantar os parabéns.

Pois é, já mandei pra longe esse tal de inferno astral.
2000inove já começou com tudo! E só melhora depois do dia 17 de março. Pelo menos esta é a minha opinião. E de opinião só sei que é assim: cada um de nós tem a sua.


:P

Nós.

.
Todo poeta já ousou descrever o sexo femino.
Falou de amor, de sensualidade, de leveza, de dedicação, de força, de vaidade, de coragem, de instinto, de frescuras, e tantos outros adjetivos que se enquadram perfeitamente com o nosso sexo.

Pois bem, se somos feitas desta mistura de elementos tão variados; se já fomos tão descritas; e se, ainda por cima, já evoluimos tanto e conquistamos tantos espaços que acabaram-se as comparações com o sexo masculino, porque Diabos ainda precisamos de uma data própria?

Porque a única coisa que ainda nos difere dos homens é a simples e plena necessidade de sermos inesquecíveis.



- Feliz dia Internacional da Mulher, à todas nós, mulheres difíceis de se esquecer.

O outro.

Um dia triste e eu tenho vontade de escrever.Hoje é um dia desses. Me sinto sozinho e angustiado, mesmo rodeado das pessoas mais importantes que conheço. Nada novo. Apenas mais um daqueles momentos em que a gente pensa: “E agora? Começar tudo de novo?” – a noite é mal dormida, o acordar é pior ainda, o relógio e o estômago param de funcionar e o resto do mundo não. Os pensamentos tomam conta da sua cabeça como fantasmas voando rápido de um lado para o outro dentro de um teatro escuro. E eles não param. E tudo está confuso e irritante. Nesse momento horroroso, sentimos uma preguiça incrível e nada absurda, de coisas que um dia poderemos adorar. O novo outro. O desconhecido. O que pode ser ruim. O que pode vir a ser o melhor... a dúvida. Sempre ela.

E aí vamos nós.
Começar outra.

Outra novidade.
Outro telefone.
Outro restaurante.
Outro dia seguinte.
Outra empolgação.
Outro abraço.
Outra pele.
Outra portaria.
Outro hall de entrada.
Outro sorriso.
Outro cheiro.
Outra música.
Outra noite.
Outra descoberta.
Outra discussão.
Outro sogro.
Outra viagem.
Outra sobremesa preferida.
Outro cachorro.
Outra saudade.
Outro filme.
Outro jeito.
Outro amor.
Outro outro.

Eduardo Coelho


Tão bom viver dia a dia...
A vida, assim, jamais cansa...

Viver tão só de momentos
Como essas nuvens do céu...

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência...esperança...

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,

Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas.

Mário Quintana

Totally Winehouse

Ok. Aquisição do dia. Amy em dvd.

Demorei para comprar, porque sabia exatamente o que aconteceria. Repetidas vezes meu quarto ecoa "Wake up alone".
Repetidas vezes a dancinha dela, seus passos curtos sem sair do lugar. Sua fragilidade versos a sua voz potente.
Que a imagem é bizarra, isso todos sabemos.
Mas porque a escritora aqui ainda se abala com a profundidade das melodias e letras?
Mais uma vez eu confirmo a premissa: meus heróis morreram de overdose. Amy ainda não. Ainda.

Ok. Love is a losing game. Quem já não se sentiu um apostador num jogo sem regras, onde todos sabem que terminarão perdendo todas as fichas. Que jogo louco é esse? Já entramos sabendo que o final é dor. É perda. Mas jogamos até esvaziar os bolsos.

Para quem ainda tem dúvidas, isso é viver. Se não for para apostar, pra que respirar? Se não for pra tentar, porque ainda acordar todos os dias com a sensação de que poderia ter feito?

Só perguntas.

Minha resposta: meus bolsos estão desfalcados e hoje ainda é cedo demais para lançar no tapete verde as minhas fichas vermelhas.

Ímpeto

.

O que será que me dá?
que me bole por dentro
que brota a flor da pele
e que me sobe as faces e me faz chorar
e que me salta os olhos a me atraiçoar
e que me aperta o peito e me faz confessar o que não tem mais jeito de dissimular...

.
(Chico Buarque)




É, realmente preciso aprender a controlar todos os meus impulsos (que não são poucos).
Abrir a minha boca sem pensar.
Falar sempre mais do que eu preciso e, mais do que os outros querem saber.

Tempo de folga

Acredito que cada pessoa tem a sua maneira de encarar a vida. Uns contam os dias que se passam, outros sonham com os que estão por vir. Outros enxergam tudo colorido, e a quem veja sempre o lado negativo dos acontecimentos.
Independentemente de como se vive, o importante mesmo é fazer tudo com vontade.

Aproveite as férias para acrescentar momentos inesquecíveis à sua memória.

Se você acredita que a sua vida daria um filme europeu, encare isso de frente. Deite mais nos gramados para olhar as folhas secas que o vento teima em derrubar. Olhe as estrelas, a lua. Sim, a lua, aquela que sempre está nos escutando. Caminhe pela praia. Deixe as suas pegadas pela areia. Pare no boteco da esquina, e observe o ir e vir das crianças. As brincadeiras na praça. Os primeiros casais se formando na escolha de quem vai ser a polícia e quem vai ser o ladrão. Dê um tempo dos problemas e vá até a vista mais bonita da cidade onde você está. Se perca por lá. Esqueça o relógio. Concentre-se e memorize cada cor, cada luz, sem esquecer de olhar sempre para o horizonte. Volte à civilização prestando atenção nos ladrilhos da rua. No carro que passa, no cachorro que dorme ao pé da porta. Analise como se estivesse com uma câmera nas mãos, e como se cada ângulo desse uma ótima fotografia. É irresistível.

Se o seu momento é de romantismo, viva estes dias como uma música da Sade. Enterre-se num quarto arejado, com cortinas leves e brancas, que não param no vai e vem da brisa. Pouca luz, apenas as velas. Essas sim, muitas. No piso, a suavidade de um tapete branco, quem sabe uma varanda que te faz lembrar que existe vida lá fora. Cama. Enorme. Mas pra que? Se a intenção é virar um só. Ao lado dela, taças de cristal. Brincadeiras de esconde e mostra. Gostos e cheiros. Pele e pêlos. Arrepios. Reis e rainhas, damas e plebéias. Bem baixinho, uma música suave dá o tom. Como sair dali? Quem sabe em caso de terremoto. E você assim, falando baixinho. Quer saber o que? Que acabe o mundo naquele momento.

A quem encare a vida com emoção. Para esses, pegue a estrada, carregue o carro, abra os vidros e deixe a sua mão dançar com o movimento do vento. Sol na cara. Pé no chão. Equipe a mochila, leve somente o necessário. Amigos, protetor solar, água e uma barraca. Vá até aquela colina bem alta, acampe no pé dela e suba até o cume. Sinta a energia. Grite alto. Arrume as cordas, certifique-se que tudo está perfeito. Sinta o seu coração acelerar. É a adrenalina que corre por dentro. Inexplicável. Só a ponta dos seus pés tocam na grama, suas mãos já seguram as cordas. Corra! Sinta o primeiro puxão. Mais uns passos e acaba o chão. É isso ai! Você está indo muito bem! Abra bem os olhos, a vista é incrível. O último passo e pronto! Você está voando. O barulho do vento, o silêncio do mundo. Só existe você ali. Seu coração é só emoção, até que você volta ao chão e a sensação acaba. E o que você sente é uma recompensa indescritível. A vontade é de aventurar-se cada vez mais. Um vício dos bons.

Para isso que fugimos da rotina. Para viver.
E para isso que servem os dias de férias. Seja no verão, no inverno. No país ou pelo mundo com a sua mochila nas costas. Viver é hoje.
A vida é uma só, e cada um sabe como aproveitar a sua.

Bom finalzinho de férias para vocês.

...

Não quero seu sorriso
Quero sua boca
No meu rosto
Sorrindo pra mim
...
Não quero seus olhares
Quero seus cílios
Nos meus olhos
Piscando pra mim
...
Transfere pro meu corpo
Seus sentidos
Pra eu sentir
A sua dor, os seus gemidos
...
E entender porque
Quero você !
...
Não quero seu suor
Quero seus poros
Na minha pele
Explodindo de calor.

-Sentidos-ZéliaDuncan

Minhas escolhas

Escolhi começar de novo;
Escolhi ser sempre sincera, sem me preocupar com as consequências;
Escolhi trabalhar com aquilo que mais me satifaz;
Escolhi atravessar a rua e descobrir o que tem do outro lado;
Escolhi reciclar tudo o que não fazia mais parte do meu mundo;
Escolhi olhar mais nos olhos das outras pessoas;
Escolhi pagar pra ver, e não freiar as minhas atitudes;
Escolhi abrir a janela para sentir a brisa entrar;
Escolhi manter apenas as amizades verdadeiras;
Escolhi o certo, mesmo sabendo das tentações do errado;
Escolhi respeitar os meus sentimentos, sem arrependimentos;
Escolhi dizer o que eu sinto;
Escolhi parar no tempo e só olhar para frente;
Escolhi tudo aquilo que tem o poder de fazer o meu coração bater acelerado;
Sabe porque? Porque a vida é feita de escolhas, e só eu posso fazê-las.

Primeiros momentos de 2009

Tem coisas no final do ano que me dão preguiça. Na verdade me dão é um pouco de irritação. As pessoas e suas manias de fazer mentalmente a retrospectiva do ano que termina. E pior não são as que fazem isso mentalmente, muito pior são as que exteriorizam.
Então, na maioria das vezes,só lembram do que foi ruim. Do namoro que terminou, do cachorro que morreu, da doença que o pai/mãe/irmão teve, do assalto, do amigo que foi morar longe, do outro namoro que terminou, da festa que perdeu; enfim, faz um balanço e ele sempre acaba negativo.
Antes de lembrar o que passou no ano que termina, lembre-se do que ficou.
A lembrança daquele abraço gostoso no seu último aniversário.
O reencontro com aquela pessoa tão querida, tão amiga, mas que andava muito sumida, e desde então está sempre em contato com você.
O emprego novo (!)
Os novos amigos.
As músicas que marcaram o ano.
Aquela roupa que você não tira mais do corpo.
Aquele beijo. Nem que seja o último beijo que te fez arrepiar o pescoço, mas lembre-se do beijo, e não do tchau.
Se for pra contabilizar, contabilize as coisas que ficaram nesse ano que termina. Chega de sofrer em dobro!
E por favor, não leve mais do que 5 minutos, porque o futuro tem pressa!

Beijo à todos, e um ótimo amanha!

Doril

Desculpa gente por andar sumida. Sei que a tempos não posto nada nesse blog. Dois motivos para o desaparecimento:

- Trabalho novo e,
- Férias (!!!)

Sim, começo no trabalho e já peço férias! E o melhor do que pedir férias, é consegui-las com menos de 15 dias de trabalho...

Passei dez dias em Angra dos Reis, pra quem já conhece eu não preciso detalhar (isso poupa uma descrição impossível de ser feita), pra quem ainda não foi, acredite, está perdendo um dos lugares mais lindos que a natureza pode nos proporcionar.

Agora é recomeçar tudo, em grande estilo, bem do jeitinho que promete 2009!

Ah, e a última novidade: visual 2009 já está ai!!

Beijo à todos!

The last kiss

Dani - a exagerada

Eu tenho uma amiga que é mais do que uma irmã (e olha que irmã eu tenho duas).
Ela é comunicativa, dedicada, trabalha demais. Mora longe, dificilmente está fisicamente comigo, mas a anos está no meu coração.
Ela é autoritária, ciumenta, mas derrete com um abraço meu.
É inteligente, rápida no pensamento.
Ela me entende no olhar, e traduz com um sorriso.
Por mais difícil que seja a convivência com ela (ressalta-se que isso é apenas um problema de agenda), é impossível esquecê-la por um só dia.
Incrível, mas nesses quase cinco anos de amizade, a Dani já me deu muito mais do que eu poderia querer. Ela me deu força, meu deu garra, me ensinou a acreditar, a saber lidar com a vida.
Ela me olha e diz: "Hoje eu tô feliz, sabe porque? Porque hoje eu estou aqui com você!"
Nada, absolutamente nada pode ser melhor do que ouvir isso, e sentir isso... porque a Dani exala sinceridade.
Amiga linda, obrigada por tudo. Um dia, uma hora, um pequeno momento do seu lado me torna uma pessoa melhor.
É inacreditável a força que tu tens! É imensurável o poder das tuas palavras. E saber que eu tenho alguém que me ama dessa maneira, e que diferente de muitas outras pessoas, se preocupa realmente com os meus problemas, e que me manda ir a luta, me torna completa!
Tu, diferentemente da grande maioria das pessoas, não é possessiva, pelo contrário! Me dá forças pra ser cada dia mais livre, porque só tu sabe que a liberdade é algo que só depende de nós! Te amo! Muito! E não canso de dizer!
Não te esquece que cada despedida nossa é apenas um até logo. Lágrimas a gente enxuga, saudade a gente mata, e amizade assim... só podemos agradecer por encontrar!


"Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

Amizade é um sentimento mais nobre que o amor,
eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos
enquanto o amor tem intrinsico o ciúme, que não admite a rivalidade.

Eu poderia suportar, embora não sem dor,
que tivesse morrido todos os meus amores,
mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.

E às vezes quando os procuro, noto que eles não tem
noção de quanto me são necessários,
de como são indispensáveis...

Se um deles morrerem, eu fico torto para um lado,
se todos eles morrerem, eu desabo."

(Vinícius de Moraes)

We will always have Paris

Houve um tempo em que tudo era motivo para dramas amorosos.
Os relacionamentos, por mais prováveis ao fracasso que fossem, sempre traziam a impressão de serem eternos.
Os mocinhos amavam incondicionalmente as mocinhas, e não havia a vizinha provocante da casa ao lado, nem a colega de academia sarada.
Os momentos eram sempre eternizados com frases marcantes, com beijos apaixonados, com cabelos ao vento.
Serenatas, beijos roubados, matinés. Ó vida! Tudo transpirava um romantismo visceral.


Nesta época, não havia internet ou tão pouco aparelhos celulares.
Se o mocinho precisasse falar à mocinha o tamanho do seu amor, ele teria que correr contra o tempo, atravessar a cidade, chegar no aeroporto restando apenas 30 segundos para o embarque, para só então declarar a sua devoção aquela frágil donzela. Não teria outra oportunidade. Aquela sempre era a sua última chance.
Poderia ele também se atirar em frente ao carro, tocar pedrinhas em sua janela ou dormir na calçada da casa dela. Mas celular, pra que?
Tudo era vivido com mais intensidade. Com a notável presença da urgência urgentíssima.
Mas hoje, bom, hoje...


Possuímos todos os recursos necessários para a demonstração dos sentimentos mais intensos.

Você decidiu que quer realmente perdoar aquele seu ex-namorado, conseguiu depois de meses perceber como é indispensável à presença dela na sua vida? Então mocinha! Mãos à obra: vai lá, pegue um táxi, um carro, um avião e corra atrás da sua felicidade, antes que ela escape entre seus dedos!


Não? Ah sim, quem sabe um torpedo só pra marcar a presença. Ou uma ligação pelo Skype? MSN? É, MSN é infalível para uma arrebatadora paixão, isso se o mocinho não tiver lhe bloqueado depois daquela última conversa onde nenhum dos dois entendeu o que a criaturinha do outro lado do computador estava tentando dizer.


Sabe o que falta hoje para os relacionamentos? Não são apenas momentos inesquecíveis em Paris.

Falta é olho no olho, falta pressa, o medo de que tudo se acabe naquela fração de segundos. Medo de que ele pegue aquele próximo avião e suma para sempre da sua vida. Falta o frio na barriga só de pensar que ela está prestes a ter a mão pedida em casamento pelo mocinho da lambreta mais brilhosa.


O que é certo é que, em se tratando de paixão, nada é eterno. Por isso, devemos lutar ao máximo pelos poucos momentos dessa chama acessa, se entregar completamente, tirar os pés do chão e viver o momento que a vida está lhe proporcionando. Isto porque existem momentos em nossas vidas que são feitos para acabar logo, porque se durassem não seriam tão especiais. E deles, sobram apenas as nossas recordações.


É, ou eu nasci na década errada, ou o romantismo realmente morreu com os antepassados. O que eu sei é que ainda acredito que nós sempre vamos ter Paris.

(Quase novo) - Com pouco uso!



Rifa-se um coração
Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário.


Rifa-se um coração que na realidade está um
pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste
de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração
que acha que Tim Maia
estava certo quando escreveu...
"...não quero dinheiro, eu quero amor sincero,
é isso que eu espero...".
Um idealista...Um verdadeiro sonhador...


Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a
esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando
relações e emoções verdadeiras.


Rifa-se um coração que insiste em cometer
sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome
de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.


Rifa-se este desequilibrado emocional
que abre sorrisos tão largos que quase dá
pra engolir as orelhas, mas que
também arranca lágrimas
e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado
por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver intensamente
contra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida matando o tempo,
defendendo-se das emoções.


Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras
e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer
para São Pedro na hora da prestação de contas:
"O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e,
se recusa a envelhecer"


Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por
outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate
tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.


Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda
não foi adotado, provavelmente, por se recusar
a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,
sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence
seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de se aventurar como poeta.

(Clarice Lispector)

Palavras de Chico

"Ninguém quer saber o que fomos, o que possuímos, que cargo ocupamos no mundo; o que conta é a luz que cada um já tenha conseguido fazer brilhar em si mesmo."

Chico Xavier

Caetano Veloso - Eclipe Oculto

Tá afim de melhorar? Siga os 10 passos:

As pessoas competentes são aquelas que conseguem manter uma postura positiva mesmo nos momentos mais difíceis. Ficar com cara carrancuda, só piora a situação e não ajuda na resolução dos problemas.

1- Curta mais a sua companhia. Aprenda a viver feliz mesmo sozinho. Convide um amigo para ir ao cinema, mas se não encontrar alguém disponível vá com a pessoa mais fascinante do mundo: você mesmo.
2- Tenha alto astral. As pessoas competentes são aquelas que conseguem manter uma postura positiva mesmo nos momentos mais difíceis. Ficar com cara carrancuda, só piora a situação e não ajuda na resolução dos problemas.
3- Viva com paixão. Procure estar por perto de pessoas com alegria de viver e manter-se afastado de indivíduos baixo astral, aqueles que secam até arruda e pimenteira.
4- Malhe com prazer e cuide bem do seu corpo. Alimentação, sono e exercícios são fundamentais para uma vida saudável. Lembre-se, o seu corpo é o seu templo. Gostar de você mesmo, significa gostar dos outros e deixar as portas abertas para que gostem da gente também.
5- Invista em você todos os dias. Nós somos arquitetos da nossa personalidade. Quando a pessoa nasce Deus lhe dá um potencial infinito que poucas aproveitam. Pense em si mesma e trabalhe firme. Ser o co-criador de si é o maior desafio da vida.
6- Celebre as vitórias. Compartilhe seu sucesso com pessoas queridas. Mesmo as pequenas conquistas devem ser celebrada com alegria. Grite, chore, encha-se de energia para os próximos desafios.
7- Tenha uma vida espiritual. Conversar com Deus é o máximo, especialmente, para agradecer as dádivas recebidas. Mantenha o hábito de rezar antes de dormir, é bom para o sono e melhor ainda para a alma. A oração e a meditação são forças de inspiração.
8- Crie tempo para as pessoas importantes da vida. Filhos, maridos, pais e irmãos são as pessoas que vão estar com você nos melhores e piores momentos da sua vida. Embora eles não pareçam tão importantes na correria do dia-a-dia, são eles que darão força para continuar.
9- Tenha amigos vencedores. Campeões falam de e com campeões. Perdedores só tocam na tecla perdedores. O diz-me com quem andas, continua válido, mais do que nunca.
10- Diga adeus para quem não lhe merece. Alimentar relacionamentos que só trazem sofrimento é uma forma cruel de masoquismo. Não deixe que relacionamentos inconsistentes atrapalhem sua vida. Se você tiver um marido ou mulher em casa que não esteja usando: empreste, venda, alugue, doe para uma instituição de caridade, enfim, deixe o espaço livre para um novo amor.

(Texto enviado pelo meu amigo Henrique Ronna, o alemão parceiro das "corridas"!!!)

A história contada na versão de Wendy

Bem fez a Wendy que preferiu crescer a ficar com o Peter Pan....

O Peter Pan é maravilhoso, mas é livre e apenas uma página da vida.

Adiante, serão escritas novas páginas, sem apagar o Peter Pan, porque não se apaga o que se vive.

Assim como o Peter é livre, a Wendy também é para escolher o seu próprio caminho.

A vida é feita de escolhas e todas elas são sofridas, porque importam em uma renúncia, que logo após será compensada por outras vivências...

Ela preferiu crescer não porque não amava o Peter, mas porque seria infeliz ao lado dele...

Então, é melhor preservar a lembrança boa do que destruí-la com a própria infelicidade.

Este é o segredo do amor próprio.



Meu lado Witch

Partida e chegada

Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espetáculo de beleza rara.O barco, impulsionado pela força dos ventos, vai ganhando o mar azul e nos parece cada vez menor. Não demora muito e só podemos contemplar um pequeno ponto branco na linha remota e indecisa, onde o mar e o céu se encontram. Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte, certamente exclamará: "já se foi".

Terá sumido?
Evaporado?

Não, certamente. Apenas o perdemos de vista. O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha quando estava próximo de nós. Continua tão capaz quanto antes de levar ao porto de destino as cargas recebidas.

O veleiro não evaporou, apenas não o podemos mais ver.

Mas ele continua o mesmo.E talvez, no exato instante em que alguém diz: "já se foi",
haverá outras vozes, mais além, a afirmar: "lá vem o veleiro".

Assim é a morte.

Quando o veleiro parte, levando a preciosa carga de um amor que nos foi caro, e o vemos sumir na linha que separa o visível do invisível dizemos: "já se foi".

Terá sumido?
Evaporado?

Não, certamente. Apenas o perdemos de vista. O ser que amamos continua o mesmo.
Sua capacidade mental não se perdeu. Suas conquistas seguem intactas, da mesma forma que quando estava ao nosso lado. Conserva o mesmo afeto que nutria por nós.

Nada se perde, a não ser o corpo físico de que não mais necessita no outro lado. E é assim que, no mesmo instante em que dizemos: já se foi", no mais além, outro alguém dirá feliz: "já está chegando". Chegou ao destino levando consigo as aquisições feitas durante a viagem terrena. A vida jamais se interrompe nem oferece mudanças espetaculares, pois a natureza não dá saltos. Cada um leva sua carga de vícios e virtudes, de afetos e desafetos, até que se resolva por desfazer-se do que julgar desnecessário.

A vida é feita de partidas e chegadas. De idas e vindas. Assim, o que para uns parece ser a partida, para outros é a chegada. Um dia partimos do mundo espiritual na direção do mundo físico; noutro partimos daqui para o espiritual, num constante ir e vir, como viajadores da imortalidade que somos todos nós.

Victor Hugo


De tudo o que ele me deu, o melhor foi o pé na bunda

(Tati Bernardi)

-Depois de um bom tempo dizendo que eu era a mulher da vida dele, um belo dia eu recebo um e-mail dizendo 'olha, não dá mais'.
Tá certo que a gente tava quase se matando e que o namoro já tinha acabado mesmo, mas não se termina nenhuma história de amor (e eu ainda o amava muito) com um e-mail, não é mesmo?
Liguei pra tentar conversar e terminar tudo decentemente e ele respondeu 'mas agora eu to comendo um lanche com amigos'.
Enfim, fiquei pra morrer algumas semanas até que decidi que precisava ser uma mulher melhor para ele.
Quem sabe eu ficando mais bonita, mais equilibrada ou mais inteligente, ele não voltava pra mim? Foi assim que me matriculei simultaneamente numa academia de ginástica, num centro budista e em um curso de cinema.
Nos meses que se seguiram eu me tornei dos seres mais malhados, calmos, espiritualizados e cinéfilos do planeta.
E sabe o que aconteceu? Nada, absolutamente nada, ele continuou não lembrando que eu existia.
Aí achei que isso não podia ficar assim, de jeito nenhum, eu precisava ser ainda melhor pra ele, sim, ele tinha que voltar pra mim de qualquer jeito.
Decidi ser uma mulher mais feliz, afinal, quando você é feliz com você mesma, você não põe toda a sua felicidade no outro e tudo fica mais leve. Pra isso, larguei de vez a propaganda, que eu não suportava mais, e resolvi me empenhar na carreira de escritora,
participei de vários livros, terminei meu próprio livro, ganhei novas colunas em revistas, quintupliquei o número de leitores do meu site e nada aconteceu.
Mas eu sou taurina com ascendente em áries, lua em gêmeos e filha única! Eu não desisto fácil assim de um amor, e então resolvi que eu tinha que ser uma super ultra mulher para ele, só assim ele voltaria pra mim.
Foi então que passei 35 dias na Europa, exclusivamente em minha companhia, conhecendo lugares geniais, controlando meu pânico em estar sozinha e longe de casa, me tornando mais culta e vivida.
Voltei de viagem e tchân, tchân, tchân, tchân: nem sinal de vida.
Comecei um documentário com um grande amigo, aprendi a fazer strip, cortei meu cabelo 145 vezes, aumentei a terapia, li mais uns 30 livros, ajudei os pobres, rezei pra Santo Antonio umas 1.000 vezes, torrei no sol, fiz milhares de cursos de roteiro, astrologia e história, aprendi a nadar, me apaixonei por praia, comprei todas as roupas mais lindas de Paris. Como última cartada para ser a melhor mulher do planeta, eu resolvi ir morar sozinha.
Aluguei um apartamento charmoso, decorei tudo brilhantemente, chamei amigos para a inauguração, servi bom vinho e comidinhas feitas, claro, por mim, que também finalmente aprendi a cozinhar.
Resultado disso tudo: silêncio absoluto.
O tempo passou, eu continuei acordando e indo dormir todos os dias querendo ser mais feliz para ele, mais bonita para ele, mais mulher para ele. Até que algo sensacional aconteceu.

Um belo dia eu acordei tão bonita, tão feliz, tão realizada, tão mulher que eu acabei me tornando mulher demais para ele.

Ele quem mesmo?

.

Eu, Modo de Usar

(minha adaptação ao texto de Martha Medeiros)

Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. Nem tão rápido que me amedronte.

Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de me magoar.

Acordo pela manhã com ótimo humor ... faça uma força para me manter assim o dia todo.

Toque muito em mim, principalmente nos cabelos, em minhas mãos e minta sobre minha nocauteante beleza.

Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituoso, não perca tempo cultivando este tipo de herança de seus pais.

Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude.

Eu saio em conta, você não gastará muito comigo.

Acredite nas verdades que digo, não tenho o costume de mentir, prefiro sempre a verdade nua e crua.

Respeite meu choro, me deixe sozinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada (então fique comigo quando eu chorar, combinado?).

Seja mais forte que eu e menos altruísta!

Não se vista tão bem... gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de mãos.

Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar às vezes, mesmo na sua idade.

Leia, escolha seus próprios livros, releia-os todas as vezes que tiver vontade.

Adore cinema comigo! Cultive e aprecie os clássicos.

Ame a vida doméstica e os agitos noturnos.

Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, aprenda a gostar de boates, e de ir a praia comigo.

Não seja escravo da televisão, nem xiita contra.

Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.

Me enlouqueça uma vez por mês mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca ...

Goste de música e de sexo. Goste muito dos dois. Muito mesmo. Sem moderação.

Goste de um esporte não muito banal.

Ame crianças, e me peça muitos filhos. Crie cachorros, cavalos, e todos os animais que possa amar. Me apresente a sua família... eu sou carinhosa e encantadora ... eles irão me adorar!

Deixe-me dirigir o seu carro, que você adora. Quero ver você nervoso, inquieto.

Olhe para outras mulheres, tenha amigos, poucos e fiéis amigos e digam muitas bobagens juntos. Não abra mão dos seus, porque eu não abrirei mão dos meus.

Não me conte seus segredos ... me faça massagem no corpo inteiro. Adore o meu perfume.

Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções.

Me rapte!

Se nada disso funcionar ... experimente me amar.

Voltar atrás

Sempre existe em nossas vidas um momento de reflexão.
E se aquela porta fosse reaberta e você tivesse a opção de voltar atrás?
Se pudesse refazer determinada circunstância, ato, momento, milésimo de segundo?
E se fosse concedido um retrocesso do universo, e você pudesse voltar ao momento exato ao daquela situação que você se arrepende até hoje?
Bom, provavelmente o mais fácil seria mudar a história, trilhar um novo caminho. Com certeza seria mais fácil. Não haveria mais momentos de arrependimento, de culpa interior. Você ali, de novo no mesmo lugar, com a mesma oportunidade, com a faca e o queijo novamente em suas mãos. Isso é um presente dos céus!
Provavelmente 90% da população da Terra sonha com este momento, e, concedida tal dádiva, abusaria do bom senso e reescreveria o seu destino.
Ótimo, não?
Talvez...
Se olharmos pelo meu ângulo, muitas vezes, é fazendo m. que se aduba a vida, como diz o velho dito popular. Voltando no tempo, talvez se você não tivesse errado, não descobriria o que estava tão certo.
Muitas vezes fazer o errado nos faz enxergar o que era realmente bom para cada um de nós. Pode concordar comigo! Sem medo. Só depois de fazer o que é errado, é que realmente nos deparamos com o certo, com o corretamente aceitável. Só depois do arrependimento, da culpa e da dor de cabeça é que valorizamos o que havia antes, e estava ali, escondidinho.
Por isso, seguindo a teoria dos ditados populares: errar é humano. E muito. Pedir desculpas também. Saber perdoar também. Errar de novo sim é inaceitável.E depois de pensar em tudo isso, lembre-se que voltar a vida e mudar o destino, isto sim, é impossível.

Charles Chaplin

“Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e viver com ousadia.
Pois o triunfo pertence a quem se atreve e a vida é muito bela para ser insignificante“.

E vejo flores no meu espelho

Créditos da foto: Susana André Motta
Holanda, 2008
Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.

Fernando Pessoa
Donzelas medievais não existem mais.
Hoje só existe a mulher. Castidade e magia. Cetim.
Hoje vou fazer o retrato falado de mim: Primeiro salto, oito e meio. Vestido pérola e qualquer coisa enrolada no pescoço.
Choque e contraste, segredos mal guardados, tramas de inverno, manhas bem cedo. Naquela época eu tinha uma saia acima do joelho. E manias.
Convém selecionar certas regalias, adoro que me imitem.
Postura fashion, transparências invisíveis à noite e impossíveis de dia.
Uma mulher são várias e uma só.
Mantenho um certo ar psicodélico. Só uso batom e cajal preto quando estou de preto. Azul, quando estou de mal.
Levo pouca coisa na bolsa e levo sustos quando me olho no espelho.
Uma mulher são tantas e uma só.
Faço tudo o que todo mundo faz. Ultrachique. Só mudo os horários, vario os personagens, me divirto demais.
Ninguém percebe.
Alguém me cobre de flores e redescubro a criança que está por trás.
Leio em francês, mal penteio os cabelos e pago caro por tudo. Caso contrário, faria tudo o que todo mundo faz.
Uma mulher é muito mais do que ela sabe ser.
E o resto são fantoches... broches na camisa, um clima dark, temperatura amena.
E eu como tantas, me contradigo. Não faço o jogo da sedução... mas sei as regras.
E o resto são fetiches... Deboches. Beijos em clima de happy end. Champanhe às cinco. Sou eu mesma, esquisita e peculiar.
Uma mulher é uma só. E ninguém mais...

Martha Medeiros

Arte na família


No momento em que a paisagem estala, pede ajuda, exclama, é impossível não dizer: pena que não estou com uma máquina fotográfica.

Fotografia é guardar, é combater o esquecimento, perdurar os olhos mesmo quando eles estão fechados.
Os verdadeiros artistas são amadores.
Quem ama não é profissional, porque nunca está satisfeito.Quem ama o que faz é vocacionado, um condenado a prisão perpétua de seu talento.


Renata Stoduto já passou para o outro lado: ela não está atrás da lente,
não adianta procurar, mas dentro do foco, no lugar do foco, na realidade.

Encarna quem fotografa, busca compreender, investigar, ouvir. Sua fotografia começa ante
s do gesto, na paixão de despertar o cotidiano, o invisível adormecido do cotidiano.

Só alguns raros podem chamar a vida pelo nome, a Renata é uma delas.


Fabríc
io Carpinejar, poeta


homenagem a prima que é orgulho da família:
www.renatastoduto.com.br

O Analfabeto Político

O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política.
Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

Bertolt Brecht

Reverência ao Destino

Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem uma opinião. Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer antes que a pessoa se vá.

Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias. Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.

Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir. Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso. E com confiança no que diz.

Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação. Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer. Ou ter coragem pra fazer.

Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo te deixa irritado. Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende. E é assim que perdemos pessoas especiais.

Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar. Difícil é mentir para o nosso coração.

Fácil é ver o que queremos enxergar. Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.

Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.

Fácil é dizer 'oi' ou 'como vai?' Difícil é dizer 'adeus'. Principalmente quando somos culpados pela partida de alguém das nossas vidas...

Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados. Difícil é sentir a energia que é transmitida. Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.

Fácil é querer ser amado. Difícil é amar completamente só. Amar de verdade, sem ter medo de viver, Amar e se entregar. E aprender a dar valor somente a quem te ama.

Fácil é ouvir a música que toca. Difícil é ouvir a consciência acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.

Fácil é ditar regras. Difícil é segui-las. Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.

Fácil é perguntar o que deseja saber. Difícil é estar preparado para escutar esta resposta. Ou querer entender a resposta.

Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade. Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.

Fácil é dar um beijo. Difícil é entregar a alma. Sinceramente, por inteiro.

Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida. Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como és e te fazer feliz por inteiro.

Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica. Difícil é ocupar o coração de alguém. Saber que se é realmente amado.

Fácil é sonhar todas as noites. Difícil é lutar por um sonho.

Eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata.

Carlos Drummond de Andrade

SO FAR FROM ME, Brett Dennen

Crows ravaging a field of wheat
Stars jealous of the moon
Scarecrows know their own defeat
Envy and the heart that it consumes

Today I walked without you
Like an empty bottle drifting out to sea
I would change it I knew how to
But it don't come that easily

If my heart wasn't such a jungle
Maybe you wouldn't feel so alone
If your her heart wasn't such and ocean
I wouldn't sink like a stone

If you weren't so far from me
I could hold you while you're sleeping
And hear you breathing softly
And be there when you're waking

Phone calls could not complete us
Letters cannot replace
Miles and miles and miles between us
Another time another place

I have yet to meet another
Who burns bright as you
I'm not looking for any other
I only want you

If my heart wasn't such a jungle
Maybe you wouldn't feel so alone
If your her heart wasn't such and ocean
I wouldn't sink like a stone

A síndrome do dedo-podre

Quem é de origem ou habita a pequena cidade de Porto Alegre sabe muito bem o que a expressão dedo-podre quer dizer. Aos desavisados, segue o meu conceito: o possuidor do dedo-podre é aquela pessoa que só consegue se envolver com as pessoas erradas.

Muito se fala em bi-polaridade, em síndrome de estocolmo, TOC, e muitas outras síndromes da modernidade. O que posso afirmar é que, dentre as mais conhecidas, a síndrome do dedo-podre é a que mais prejudica a vida feminina.
Pois muito bem, quem nunca esteve numa fase dedo-podre na vida, que atire a primeira pedra. Todas nós já vivemos amores platônicos por cafajestes, relações efêmeras com o típico não-sei-se-caso-ou-se-faço-a-carteirinha-do-fubango-do-ano, namoros com o perdido na vida (aquele que não trabalha, não estuda, só come e dorme e ainda quer ser sustentado), com ciumentos compulsivos, agressivos por natureza, ou pior ainda, casos com homens casados.

Tudo bem que existem inúmeros tipos de homens no mercado, do tipo A ao tipo Z, mas isso realmente não vem ao caso. O que deve ser discutido aqui é a inexplicável necessidade de algumas mulheres em escolher os homens errados! Eventualmente até pode ser aceito, mas quando a luzinha ascende, é sinal de que a síndrome bateu a sua porta.

Quem não tem uma amiga linda, querida, divertida, simpática, bem resolvida, inteligente, e tudo o que de melhor pode existir (até porque nós só buscamos amigas maravilhosas, né?), mas que possui como único defeito a paixonite por homens que não valem nada.

O certo é que muitas vezes podemos nos sentir atraídas por um rostinho bonito, um corpo sarado e um olhar bem no estilo 43, mas daí a perder horas de raciocínio produtivo com esta espécie, não. Inaceitável. Não me refiro nem a sofrimento amoroso, falo aqui de minutos do seu tão escasso tempo pensando nesse tipo de pessoa, ou respondendo mensagens de texto, atendendo a telefonemas de homens que não vão acrescentar uma vírgula em nossa existência.

Uma mulher precisa acima de tudo, selecionar os seus relacionamentos amorosos. Afinal de contas, nossa felicidade pessoal depende e muito da maneira saudável como vivenciamos os nossas relações afetivas-sexuais, uma vez que, por mais independente que seja a pessoa, todas nós – eu disse todas – valorizamos os relacionamentos.
Sendo assim, o que passa na cabeça de uma pessoa que sofre desta famigerada síndrome? Carência, baixa estima, ou falta de senso crítico? Um pouco de tudo isso e um tanto de coisa pior.

Uma coisa é certa, homens que não valorizam a mulher, que não as colocam em seu lugar de destaque, não merecem a nossa atenção. Para um homem ser considerado o certo, é preciso apenas um pouco de sinceridade nas atitudes, carinho nos gestos e caráter, muito caráter. E, somente no dia em que as mulheres prestarem atenção nesses pequenos detalhes (esquecendo a conta bancária, o estilo dele que ela adora ou o carrão que ele tem), é que elas vão estar no caminho certo para a cura.

If only

Este é o título original do filme "Antes que termine o dia". Para quem ainda não assistiu, vai ai a minha dica: ótimo para noites de sábado chuvosas, sozinha ou bem acompanhada (sim, porque mal acompanha a última coisa que se quer é assistir TV), com pipoca e tudo mais que a sessãozinha tem direito.
Para algumas pessoas é apenas mais um daquele melosos filmes românticos, com cenas que chegam a beirar o ridículo em virtude da produção hollywoodiana.
Por outro lado, ele consegue misturar o sotaque e os costumes ingleses com a leveza americana, ótima fotografia, boa música, e o que todas nós gostamos: uma verdadeira história de amor.
É uma relação real pois é feita de erros e acertos. Mas o que distingue esse filme dos demais é que ele te faz parar e pensar em tudo que acontece num relacionamento, e que normalmente você não enxerga. A diferença entre a ficção e a realidade é que nunca nos é dado a segunda chance.
Preste a atenção nas mensagens quase que subliminares que este filme possui.
Se tocar o seu coração, pode ter certeza que você faz parte do meu grupo.

Olhando de perto


Reza a lenda que a mulher de Peixes é a mais feminina, romântica e fatal de todo o zodíaco. Lânguida, remota e um pouco (ou muito) distraída, representa naturalmente o protótipo da mulher sensível, emotiva, que se recolhe e interioriza quando tantas outras se exibem na passarela. No jogo de ocultar-revelar que sabe manejar tão bem, poucos são os que não sucumbem ao canto dessa sereia. Mas se você está interessado nela, lembre-se: flores, música, ambientes bucólicos e românticos com muita tranqüilidade e uma dose de aventura a fazem sonhar e excita sua imaginação.


As piscianas são mulheres muito sedutoras e femininas, e estão ligadas aos aspectos inconscientes do feminino. Envolta por uma aura meio mágica e misteriosa, pode atrair os homens com facilidade, só de ficar sentadinha, com as pernas cruzadas. Se for do tipo menos tímida, se insinuará, mas sempre com um certo ar de reserva,o que atrairá ainda mais os homens. Se for do tipo mais tímida, ficará olhando de longe, e mesmo assim chamará a atenção do homem. Expressam-se muito por olhares, e isso fazem melhor que ninguém.


Seu ar meio misterioso realmente tem razão de existir, e descobrir seus segredos torna o contato mais excitante. Na vida íntima são consideradas umas das melhores amantes do zodíaco, mesmo com seu ar romântico e doce. É dedicada ao parceiro, e exige o mesmo em troca.


E se você conseguir excitar sua imaginação, o resto vem naturalmente. Sensível e um pouco tímida ela é, embora não aparente. Quando se oculta, parece atrair e quando afasta parece tentar. Talvez seja a mulher mais esquiva de todo o zodíaco, a mais misteriosa e a mais difícil de agradar.

O Portoalegrês

O Portoalegrês é uma das línguas mais difíceis do Ocidente (que não é o hemisfério e sim um bar de Porto Alegre). Para começar, só existe uma interjeição: "bah!" - que é usada em mais ou menos 462 situações diferentes.

Prá complicar, "bah!" tem também 497 entonações diferentes: pode ir de um simples "beh!" até um complicado "pãh!" dependendo do que tu queres dizer.

E tem também as gírias. Porto Alegre é equipada com mais ou menos 15 fábricas de gírias funcionando sem parar. Algumas chegam até a ser exportadas: "viajar na maionese" e "pirar na batatinha", que agora estão em moda no Rio, são faladas a anos, ou em Portoalegrês: "há horas". Outras expressões cruzam a fronteira, mas nunca chegam a ser compreendidas. "Deu prá ti", por exemplo, que é o nome de uma música que fez o maior sucesso no Brasil inteiro.
Talvez porque as pessoas pensaram que "deu prá ti" fosse uma sacanagem, quando na verdade só queria dizer "chega".

Tem também o "tri legal". Há horas niguém fala "tri legal" em Poa. Se fala "tribom", "triquente", "triafim", "trigente", "triafú" (muito usado), e "tri" o que tu quiseres.

Mas nada é mais porto alegrense quanto falar: "tu vai ir?". Repita agora, com sotaque: "Báh, mas tu vai ir? Báh, mas se tu for, eu também vou ir".

É o único lugar do mundo onde a gente lava "os pé" e lava "as mão".

E deu pra ti guri!

Não há nada melhor do que poder dizer: "Báh, eu sou de Porto Alegre", com o sotaque mais cantado possível... e a cara mais orgulhosa do mundo.

(Autor desconhecido)

No corpo eu tenho o sol e no coração eu tenho a lua

Se a vida fosse fácil, a graça seria torná-la difícil. Por mais que as pessoas tentem facilitar as coisas, o morno incomoda demais. Existem pessoas favoráveis à teoria de que a serenidade é o segredo da felicidade, pelo menos por uns meses. Mas e depois? E com o passar dos anos? Onde estaria a pimenta que manteria acessa a tão cantada e rimada CHAMA?

Já vivenciei muitos tipos de relacionamentos. Comecei a namorar muito cedo, antes mesmo de completar 16 anos. Dessa primeira experiência, foram nove anos de uma relação que se iniciou imatura, mas que com o passar do tempo foi evoluindo gradativamente. De início tudo era novidade: cheiros, bocas e sensações. As emoções eram imaturas também. Do ápice para o mais fundo vazio. Beijos, beijos e crises. Ciúmes, cobranças, tudo aquilo que um relacionamento não sadio exige. Fases difíceis de superar. Indas e vindas, traições e deslealdades. Mas, acima de tudo, uma segurança dentro de um relacionamento instável, como é possível? É o chamado amor que consome, as pessoas não se enxergam fora daquilo. Uma fase difícil de ser superada. E com o passar dos anos, veio a calmaria. Tudo o que era novo, tornou-se morno. Noivado, idéias de casamentos. A simples idéia de juntar as escovas de dentes já me faziam sofrer de urticária.

Já na segunda tentativa, ressalta-se que com um novo protagonista, voltam a cena todos os elementos da paixão. A angustia do novo, as dúvidas, os medos. Sentimentos parecidos em momentos diferentes. Agora, mais madura, mais certa do que é bom pra mim? Ledo engano. Como é enfeitiçadora essa tal paixão.

O que me parece é que, quanto mais amadurecemos, mais nos entregamos a esse sentimento. Mas, graças a Deus, agora a entrega é diferente. Passa a ser uma entrega completa, mas sempre com os pés no chão. Nosso amor próprio, e o amadurecimento pelos sofrimentos do passado nos tornam pessoas mais centradas, menos "entusiasmadas" com os fascínios da paixão. Não que ela não entre atravessando portas e janelas, mas não consegue mais nos tirar do chão. O que é nosso, está garantido por nós mesmos. Nossa felicidade não pode ser colocada na mão de segundos, depende apenas de nós.

E a cada relacionamento que se iniciava, mais uma vez aumentava o aprendizado. As cobranças são inseguranças, o ciúmes é falta de amor próprio, saber ceder é a palavra da vez, as energias boas vem de momentos de silêncio e somente toques. De que vale apenas a pimenta, se a felicidade depende realmente da serenidade?

Como você se imagina daqui a 40 anos? Estável, tranqüilo, seguro, rodeado de natureza e de pessoas que te amam, certo? E se não fosse a serenidade a responsável por tudo isso, como você se veria no futuro depois de 40 anos ao lado de alguém que só te proporcionou ardor?

Acredito que o amor é muito maior do tudo o que falei até agora. É muito de serenidade, mas é também um toque pimenta, é carinho, é sexo, é compreensão, é incentivo, é apoio, é amizade, é afinidade, é saber dizer não, é querer só dizer sim, é ouvir, é falar, é calar, é perdoar, é saber quando e aonde tocar em determinados assuntos, é respeito, é lealdade, é cumplicidade, é carência, é querer estar perto, é querer estar sozinho, é ter dúvidas, é ter certezas, é querer mais.. e mais.. e mais. Todos os sentimentos se apresentam em fases distintas nas nossas vidas.

Eu posso afirmar que já amei muito, de maneiras diferentes, mais de uma vez a mesma pessoa. Quem nunca passou meses vivendo de um amor mal resolvido? Mas amores que possuem hora certa pra recomeçar não me servem. Não existe a possibilidade de dar uma "pausa" no sentimento, e aguardar as cenas dos próximos capítulos? Seria o amor um sentimento passível de mutações? Poderia ele hibernar no inverno como os ursos, trocar de pele como as iguanas, renovar as penas e as garras como as águias? Acredito que não. O que se torna findo, findo está. Não há como recomeçar as pequenas emoções do início do relacionamento assim, do zero. O frio na barriga, a mão gelada, o arrepio na nuca. Depois que eles terminam minha cara amiga, babau-se!

O amor não é como a histórica Fênix, ele não ressurge das cinzas.
E a única maneira para se dar início a um novo amor dependerá do simples gesto de abrir os olhos.

Saber perder...

Saber perder é uma arte que deve ser aprendida na infância e praticada por todos aqueles que desejam viver uma vida equilibrada. Lidar com as perdas começa dentro de casa. A família é o exemplo de tudo. Pais que não ensinaram seus filhos a lidarem com as perdas, certamente não aprenderam com os seus e assim sucessivamente. É por isso que encontramos pessoas com sérios problemas relacionados a perdas.

Não saber perder é perder o senso do ridículo. A arte de não saber perder é algo que só está ao alcance de alguns! Em certos casos, o mau perdedor cria situações provocativas para responsabilizar outras pessoas por culpa de sua frustração de não saber perder. Arranja pretextos para livrar-se daquilo que não sabe lidar.

De que adianta querer ser perfeito, escancarar qualidades e esconder os defeitos. Pura ilusão. Não culpe ninguém por suas perdas a vida é feita delas. Perdemos um amor, perdemos um negócio, nosso time do coração perde... Perder é ruim, não é nada agradável, mas é uma forma de enxergarmos que as derrotas são momentâneas e que nos darão forças para superá-las.

Todos querem ganhar, ninguém quer abrir mão de uma situação de conforto. Quem é sábio aprende a assimilar pequenas perdas sem ficar se consumindo, pois vê além, observa o futuro e aceita que as lições de hoje poderão ser úteis breve.

Temos que saber que é essencial assimilar as derrotas, para mais além nos capacitarmos para as vitórias... Ninguém ganha sempre e as pessoas que nos cercam não são culpadas pelas nossas derrotas. Nunca é tarde para se aprender algo. Muitas vezes perder na hora certa é mais interessante que ganhar. Pense nisto, pode fazer toda a diferença em sua caminhada.

Por Susana Andre Motta

Afinidade

A afinidade é um dos poucos sentimentos que resistem ao tempo e ao depois.
A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos.
É o mais independente também.
Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto no exato ponto em que foi.
Ter afinidade é muito raro.
Mas, quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas.
Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavras.
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.
Afinidade é sentir com,
Não é sentir contra,
Nem sentir para,
Nem sentir por,
Nem sentir pelo.
Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado.
Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.
Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo.
É olhar e perceber.
É mais calar do que falar, ou, quando é falar, jamais explicar: apenas afirmar.
Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças.
É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidades.
Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida para que a maturação comum pudesse se dar.
E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais a expressão do outro sob a forma ampliada do eu individual aprimorado.

(Artur da Távola)

Meu lado Brigitte Bardot

Com aura e nacionalidade francesa, a atriz e cantora reconhecida mundialmente por suas iniciais BB, marcou com a sua beleza e seu talento as telas do cinema mundial. Aos quinze anos foi capa da revista Elle francesa. Símbolo da geração de 60 e 70, Brigitte foi apresentada ao mundo quando estrelou o seu terceiro filme - o primeiro de destaque - E Deus criou a mulher, gerando polêmica ao viver uma jovem adolescente amoral numa pequena e respeitável cidade.

Brigitte Bardot foi musa para talentos como John Lennon e Bob Dylan. Não só a sua beleza se evidenciava, mas sim a sua instigante vontade de ser destaque com a sua personalidade marcante. Sua presença jamais passaria desapercebida. Falava o que vinha a mente, e estes fortes traços de sua personalidade eram compartilhados com o mundo através de sua voz macia, rouca e de seu sotaque francês do qual BB jamais abriu mão.

Diversos foram os seus trabalhos no cinema - no total mais de 50 filmes - , e diversos foram os escândalos em sua vida pessoal, casamentos, divórcios, amores tórridos, a então denominada “Devoradora de Homens” foi uma das primeiras divas do cinema a sofrer com a invasão de privacidade dos paparazis, sendo a exposição na mídia a causa fundamental para a sua aposentadoria antes de completar 40 anos de vida.

Bardot resolveu então recolher-se e viver em suas praias preferidas, em especial o litoral francês (St. Tropez baby), utilizando a fama apenas para divulgar a sua causa: a defesa dos animais. Tornou-se vegetariana, lutou pelo uso de peles artificiais no mundo na moda, brigou pelo fim do uso dos animais nos testes de cosméticos das grandes marcar mundiais (inclusive aquelas que anteriormente Brigitte fora a imagem publicitária), atraiu todos os holofotes ao denunciar o massacre dos bebês-foca no Canadá. Instituiu a Fondation Brigitte-Bardot, que possui como um dos membros honorários Dalai Lama, seu amigo e conselheiro.

Fugindo dos estereótipos e padrões da época, Brigitte apoiou a independência da Argélia, discutiu assuntos polêmicos como o homossexualismo e a imigração árabe, onde condenou o Islamismo pela utilização de animais em seus rituais.

Independentemente de suas atitudes, é incontestável a importância de BB tanto na história do cinema como no rol das celebridades que expoem as suas idéias
. Esta Diva deixou sua marca, seja por sua atitude, por sua beleza estonteante, por sua elegância deselegante, por seu charme, ou seu sex appeal.

Um exemplo de mulher que vivencia tudo com amor, que não se esconde nem se deixa calar. É um exemplo para uma geração. Hoje, olhando para trás, posso ter certeza que essa musa não só abriu portas, mas escancarou janelas, criou pontes, andou sobre as águas.

E muitas, como eu, entre outras, temos um pouco ou um tanto de Brigitte Bardot.